Eu não sei se estou ou sou velho, mas tenho uma certa saudade de
algumas coisas, de um tempo ali, não, não é saudade, bem, não sei bem
definir, mas lembro de uma época, digamos,
pré-histórica, quando a gente não tinha muitas opções, muitos devem
lembrar das páginas amarelas das listas telefônicas, e o quanto demorava
para você encontrar um número de telefone, e hoje você olha de longe
pra esse passado e se pergunta como se podia viver daquela forma, lembro
dos discos enormes de vinis, hoje idolatrados pelos músicos, pela
qualidade, lembro da Tv em preto e branco, lembro das fitas cassetes,
selecionar as canções, lado A, lado B, fazer a listinha, gravar música
pelo rádio, colecionar figurinhas, esperar pela próxima promoção de
refrigerantes, os copos dos trapalhões, dos thunder cats, não sei éramos
felizes ou atrasados, se hoje os jovens, as crianças estão melhores ou
se não terão experiências, mais, digamos, rústicas, para entendem o
significado do termo nostalgia em sua acepção total, saudade, claro,
deverão ter as suas, de outras coisas, sei que alguns de nós guardamos
com carinho essas experiências, brincadeiras, cair no poço, claro, nunca
beijei ninguém, mas sei que os meninos e meninas brincavam, sou do
tempo em que, ver a calcinha de uma menina era como encontrar as 70
virgens do paraíso, era a maior descoberta sexual da minha geração, hoje
as calcinhas estão a mostra, não só elas, mas muitas coisas outras e
ninguém mais liga, o sexo está no cardápio do nosso dia a dia, sim,
sempre esteve, hoje está mais sortido, sou do tempo de escrever o nome
da pessoa amada na parede, Ronaldo x _ _ _ _ _, ainda lembro o nome
dela, seis letras, morava na mesma rua, minha paixão era tanto que
passei até a usa o mesmo shampoo que ela usava, ela não me queria, mas
eu adorava o cheio dela, psicologicamente é fácil de explicar, e eu a
achava a perfeição, a coisa mais linda que já tinha visto na minha vida,
e ainda hoje lembro dela, aqui e ali me pegando pensando, e eu adorava,
a forma como ela andava, falava, o sorriso, me arriscava a passar em
frente a casa dela, com medo dela me olhar ou aparecer na porta, enfim,
viva inocência, até um dia tudo morrer e desaparecer, sim, a encontrei
algum tempo nas redes sociais, arrisquei até um contato, sei lá, para
mostrar pra ela o quanto eu havia mudado, mas desisti, não fazia mais
sentido, algo se perdeu, como tudo que se perde no passado das nossas
vida, nunca mais a vi, nem quis saber, ter conhecimento, é melhor, assim
como o passado, é melhor apenas sentir numa noite de domingo vazia e
pensar em tudo o que aconteceu, vivemos, olharmos para o céu, fecharmos
os olhos e pronto, seguir em frente, com uma certa dorzinha ali
escondida no peito, que a gente disfarça no sorriso.
Ronaldo Magella

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