Em 22 de julho de 1962, o Mariner I estava em sua plataforma, pronto
para fazer história. Depois do investimento de anos de construção,
cálculos e financiamento, a NASA tinha grandes esperanças de que seu
foguete realizaria com sucesso um voo de reconhecimento até Vênus, o que
daria impulso para a corrida espacial americana. Em todos os sentidos, a
NASA estava prestes a estabelecer um precedente em viagens espaciais.
Mas assim que o foguete foi lançado, ficou claro que não havia o que
comemorar: menos de cinco minutos depois do início de voo, o Mariner I
explodiu, dando um prejuízo de US$80 milhões (hoje seriam US$630
milhões). O que causou este desastre? Um simples hífen que foi omitido
num código matemático escrito à mão.
Várias teorias surgiram em torno das razões por trás da falha da nave e
grande parte delas se baseava em diversos relatórios que foram
produzidos logo depois do acidente (alguns oficiais, outros mera
especulação). Mas a explicação mais citada, diretamente do Relatório
Pós-Voo da Mariner I, foi que um hífen ou uma barra que não estava nas
instruções do código de computador fizeram com que o desastre
acontecesse.
“Isso foi tão idiota”, disse John Logsdon, membro do conselho consultivo da NASA, ao Los Angeles Times.
“Parece que nos últimos anos emergiu um problema sistemático de falta
de atenção aos detalhes em toda a comunidade espacial”. Carl Pilcher,
ex-diretor do Instituto de Astrobiologia da NASA, encarou o erro com
ares de familiaridade, fazendo referência ao que aconteceu à Mariner I.
“As pessoas cometem erros o tempo inteiro. Eu acho que o problema foi
que nossos sistemas, projetados para reconhecer e corrigir os erros
humanos, acabaram falhando conosco”.
A Mariner I vai servir sempre como um lembrete — para todos, desde os
humildes editores de blogs até os engenheiros da NASA — da importância
universal da revisão. Nesse meio tempo, vamos nos consolar com o fato de
que nossos erros de digitação não acabam custando US$80 milhões.
Vi no Gizmodo

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